Meu grito – Ivone Boechat

Eu posso, sei que posso,
por isso eu vou,
amordaçada, sacrificada,
até calada, sem medo.
Vou sem segredo,
na certeza de ser melhor,
não reclamo,
não tenho nada pra desculpar,
corro na certa, de peito aberto,
retorno sempre que precisar.
Sou como as nuvens,
formo imagens
que se apagam nas ilusões,
grito socorro,
dou mãos ao mundo,
me agasalho
nos teus verões.

Batom vermelho (Parte 1) – Vyb Ebuliani

PARTE. 1

"Perder-se nele era como encontrar-se em si mesma."

… passou seu batom vermelho. Os dois ponteiros do relógio prontificaram-se marcando 10:00, apesar da hora a neblina ainda persistia lá fora. Mesmo sendo uma manhã de segunda-feira e sem relutância odiar segundas-feiras, hoje ela acordara disposta, com um pouco de animação para fazer os deveres domésticos e depois ir malhar como costume. Ia ao seu encontro, não decisamente, nem voluntariamente, mais por que era sua rotina. Como poderia alguém fazer tão bem e tão mal ao mesmo tempo? Pagaria por uma resposta convincente. Alegrava-se em vê-lo mesmo que fossem menos de duas horas por dia , mais a dor de deixa-lo partir era esmagadora, não que tivesse algum direito sobre ele, mais ama-lo e não te-lo era como estar entre as nuvens e cair derradeiramente em queda livre num penhasco, uma queda longa e muito muito dolorida. Enquanto caminhava vagarosamente ouvindo suas melhores musicas, deixava um pedaço de si pra trás, um lado oculto que a ninguém cabia revelar. Veria-o novamente, como todos os dias a quatro meses, por que dessa vez algo seria diferente?  Por que acreditar em algo que nunca haveria de mudar, ele era casado e ela, ah pobre donzela, vivia em seu mundo fantasioso no qual amor verdadeiro estava longe, longe demais para alcançar.  A neblina recolhia-se lenta e preguiçosamente e aos poucos no horizonte o azul do céu começava a aparecer, fazia um pouco frio, mais ela não sentia a temperatura gelada. Todas as pessoas que encontrara em seu caminho estavam vestidas com blusas compridas e grossas e apesar de ser começo de inverno naquela segunda feira a mínima não passara de 12 graus e certamente o sol sairia forte e reluzente quando estivera preste a ir para casa, por isso nem se dera ao trabalho de vestir uma blusa por cima de sua de camiseta. Se fosse pra sentir frio, que sentisse então, ela amara o inverno desde que se entendia por gente, o que não era muito penoso já que na região em que morava o calor era absurdo e desconfortante, adorar dias frios era fácil. A academia não ficara longe de onde morava, apenas 4 quarteirões, cerca de 10 min. a pé isso quando não perdia tempo admirando idosos em suas varandas lendo jornais, como se o dia deles dependesse disso. A academia ficava em um barracão, não era muito grande, não tinha os melhores aparelhos, porém supria suas necessidades e pelo preço valia à pena ir dar seu melhor e não reclamar. Um dia conseguiria, teria o corpo malhado como sempre desejara, não se enganara sabia que precisava focar todos os dias e fazer o trabalho duro, até por que se fosse fácil, a frase não diria No pain, no gain! Estava quase atingindo seu objetivo, ficara quase a vida toda sedentária, completara 22 anos mês passado e ao não ser a fase escolar em que praticava algum tipo de exercício, obrigada pelo professor, não se recordara de fazer exercícios físicos por vontade própria, até que cansara de levar aquela vida parada, e decidira que precisava sair de sua grande de zona de conforto e arriscar-se. 

La estava ele, tão bonito quanto se lembrara, com roupas de academia que combinavam com sua função de professor, usara um conjunto Adidas preto, seus cabelos castanho claro estavam um pouco bagunçados, ao entrar ele não a notara o que para Anne já não era novidade, ele estava conversando com outra aluna, uma mulher de meia idade cabelos Chanel loiros que falava mais que o permitido, se o governo criasse uma lei que limitasse a quantidade de palavras que poderiam ser pronunciadas em um dia, ela sem duvida sofreria alguma punição, não só por um dia mais em todos. Toda sua vida nunca conhecera alguém que falasse tanto quanto ela, achava aquilo pouco saudável e muito irritante. Sua voz continuaria intacta até o fim do dia, sem deixá-la rouca? Se fosse casada, o que era provável, como o marido a suportava? Os homens em geral já dizem que mulheres falam mais do que deveriam, pobre daquele homem que estivera ao seu lado.  Para Anne não era só irritante a senhora falar e falar, como se o mundo fosse acabar a qualquer instante, quanto pelo fato incontrolavelmente irritante de que ele estaria la, parado ao lado daquela senhora – que ela nem se dera ao trabalho de saber o nome- , conversando. Por que ele não poderia agir assim com ela? Por que ele mantinha distancia? Ta ok, ele mantinha sua postura profissional perante todos seus alunos, mais com ela e pelo fato de ela desejá-lo incontrolavelmente era sufocante saber que tinha pelo menos uma pessoa naquele lugar que ganhava mais atenção dele do que ela jamais sonhara.

Esse é a primeira parte de um texto que escrevi sobre alguém que já foi especial pra mim, mais que hoje não deixa de ser uma lembrança. Espero que gostem. 

Snow White – The Poem – By : Jon Gutmacher

large
“The Queen
so fair
the mirror bright                                                               
it says her name
but thinks
Snow WhiteFor evil lies
in heart so black
and nothing
will
it stay

Her beauty reigns
in castle tall
but hidden
dark
behind
its walls

Lie spells
and magic
as dark as night
with gloom
and death
no, nothing’s –
right

For she
the Queen
of darkness all
rules by death
and magic
pall

She questions the mirror
again this day
“Who is the fairest
“Who is?
“I say!

“My queen, you are the fairest now
“no one compares
“nor, you allow
“but beauty runs
“beyond skin deep
“and in these things
“your blackness keep
“but yes, behold
“you are most fair
“your beauty
“reigns supreme

The Queen looked puzzled
at the vow
but thought not much
not then . . . but now
for all she saw
was that to see
her beauty great
oh, that
it be

And went to hall
where knights bowed down
her subjects groveled
all around
and gawked and looked
her beauty fair
for she
was much
to see

Her body tight
her skin so pure
her eyes so blue
like deep azure
and hair so black
like heart not seen
a face so fair
quite like
a dream

But deep within
that heart of stone
lived a hell
that she called home
for jealous to
an inch of life
let none oppose
lest die
in strife

With poisoned eyes
and poisoned spells
and poisoned potions
from poisoned wells
her evil vision
could see thru stone
this Queen
who rules
this Land

And so the days
turned into night
and time passed on
with each dawn’s light
and sent her armies
far and wide
until she ruled
all countrysides

And all did homage
to this Queen
who broke her enemies
through force
and scheme
For none could stand
against her now
Her powers
Stood all tests

“Now mirror, mirror
“on the wall
“Who is the fairest
“Of us all?
“Who rules the land
“Who rules from hell
“Who casts bold spells
“That none can quell?

“T’is you, my queen
“Who is most fair
“With azure eyes
“And flowing hair
“But Snow White lives
“and now grows tall
“her beauty deep
“will be your fall
“For when she turns
“but twenty one
“Your life will end
“Your reign undone
“And Prince from far
“will take your Land
“their love
“will make her queen!

The Queen turned black
Her rage drew flames
She screamed with hate
at Snow White’s
name
and vowed to cut
pure heart from breast
“Until that’s done
“I shall not rest!

And ran to Hall
her knights they bowed
and brought the huntsman
from where
t’was found
and ordered him
that very day
to seek Snow White
who he would slay
and cut her heart
from beating breast
and place it then
in small jeweled
chest

“Then bring her heart
“that I can see
“that Snow White’s death
“is sure!!”

The huntsman thought to ask
but why
But knew to ask
Then he
would die
so simply bowed
with fist to chest
to do her bidding
on this
black quest

So left the Hall
and then set on out
to obey his
evil Queen

He’d heard Snow White
her beauty, true
did live in woods
where not . . . he knew
but searched the lands
until one day
he heard her name
“Snow White”
they say

Is purer than an evening star
her smile warms all
from near and far
and hair so black
and lips so red
with perfect body
is what
they said

And there she was
in clearing light
her smile shown
her eyes were bright
and pure as pure
a gentle stream
no hint of bad
no stroke of mean

She looked at him
as he approached
his blade came out
he grabbed her throat
but then her goodness
overcame
he dropped the knife
his hands went
lame

“Oh, Princess . . . I cannot!
“For you are so fair
“I cannot harm
“one precious hair
“You are so pure
“you are so good
“I see why she wants you
“dead.

And then the huntsman told her all
And Snow White turned
an ashen pall
“Now hide – or die
“as quick can be
“I’ll slay a pig
“for Queen
“to see
“For if she ever finds the truth
“we’ll both pay
“with our lives!”

And deep the forest did she go
where fainted dead
in morning snow
and seven dwarfs did
find her there
and took her to their home

And there she lived
for most three years
their steadfast love
quelled all her fears
until one day
the Queen arrived
with apple in her
hand

And dwarfs were gone
she could not see
the evil witch
that Queen could be
and took a bite
then felt the death
but cried one time
to dwarfs in west

They heard her cry
thru forest and trees
and grabbed their weapons
and ran with speed
and saw the Queen
and cut her down
and cried aloud. . .
at what they found

Snow White lay dead
Upon the snow
yet still in death
she held a glow
so pure her beauty
so pure her heart
they could not accept
they could not part
so built a box of glass so fair
and placed her in
with loving care
and in a clearing
for all to see
her beauty never
waned

And years they passed
until one day
she’d be twenty one
or so . . . all say
and on that day
a Prince so bold
who heard the tale
that many told
and rode his horse
into the clear
and lifted glass
then pressed her near

For he was great
and magic, too
and in his heart
he always knew
that he would find her
on that day
and kissed the lips
swept death
away

And watched her color
begin to grow
her eyes they opened
at first – so slow
For love had triumphed
where death had not
as all around
dwarfs cheered!

He took her to his land
as queen
then joined their lands
and those
between
and all rejoiced
and all was well
for the Land
was now
at peace

“Oh, mirror, mirror
“On the wall
“Who is the fairest
“Of them all?”
Sem dúvidas um dos meus poemas favoritos de Jon Gutmacher. 
Without doubt one of my favorite poem of Jon Gutmacher. 
Créditos / Credits : ©2012 by Jon Gutmacher (http://fantasypoetrybyjongutmacher.com/)
Foto Branca de Neve/ Snow White image : WeHearIt.
 
 

O amor por uma montanha.

Amo uma montanha.
Queria ser um pássaro a voar, 
voar pra longe e ao horizonte te avistar,
esbelta curvatura rochosa, que meus olhos admiram.
Estou ao seu encontro  
Não me deixe quando eu partir, permaneça ao me encontrar;
Oh montanha majestosa, meu coração pertence-lhe desde já.

Ok. Vamos com calma, o pequeno poema acima é um relato de um amor por uma montanha. Faz sentido ? Talvez nenhum. Mais acredite você já viveu um amor desses,sim,você mesmo. E vou -lhe explicar o por quê.

Vamos voltar ao passado, talvez uns anos atrás ou nesse exato momento, você esteja amando algo que nunca foi seu, a primeira impressão que vem a sua mente é, isso não faz o menor sentido! É completamente plausível sua reação, não faz mesmo, porém você não deixa de sentir esse sentimento ai no fundo certo ? O que eu quis dizer com sentir amor por uma montanha é que amamos algo fora do nosso alcance e ainda por cima quase sempre. Não leve a palavra amor, muito ao pé da letra, gostar muito também serve como sugestão.Sabe aquela pessoa que você avista todos os dias e não tem coragem de dizer um oi, por medo de ser rejeitado, ou passar vergonha de alguma forma, sabe aquele sonho (que não deixa de ser O AMOR da sua vida) , que você tem e não realiza, por mais que tente ? E assim em diante.

Amar, cuidar, proteger, estar perto, por mais que eu ache que sei algo sobre o amor, acredito que minhas dúvidas superem minhas certezas. Milhares de coisas que acontecem na nossa vida diariamente e que não temos controle algum, pra mim isso significa amar uma montanha. É amar algo fora de seu alcance. Fora dos seus limites. É esperar pelo pior, acreditando no melhor, e mesmo assim correr o risco de não ser o suficiente.  O ser humano em geral gosta de ter o controle das coisas, de ter posse de tudo, é prazeroso ter o que você quer e nas condições em que quer, embora não pareça ser o certo. Aqui no final do texto creio que você esperasse, algum tipo de dica, relatos pessoais, ou então o artigo de algum estudo feito que mude o fato de amarmos algo acima do nosso alcance. Sinto muito por desapontar-lhe, quando eu encontrar uma resposta viável a compartilharei prazerosamente. Eu amo uma montanha e não tenho a menor ideia do que fazer em relação a isso. Queria poder controlar os sentimentos , assim como controlo a escrita, conforme meus anseios e com toda a paciência do mundo.

#EuAmoUmaMontanha.