Batom vermelho (Parte 1) – Vyb Ebuliani

PARTE. 1

"Perder-se nele era como encontrar-se em si mesma."

… passou seu batom vermelho. Os dois ponteiros do relógio prontificaram-se marcando 10:00, apesar da hora a neblina ainda persistia lá fora. Mesmo sendo uma manhã de segunda-feira e sem relutância odiar segundas-feiras, hoje ela acordara disposta, com um pouco de animação para fazer os deveres domésticos e depois ir malhar como costume. Ia ao seu encontro, não decisamente, nem voluntariamente, mais por que era sua rotina. Como poderia alguém fazer tão bem e tão mal ao mesmo tempo? Pagaria por uma resposta convincente. Alegrava-se em vê-lo mesmo que fossem menos de duas horas por dia , mais a dor de deixa-lo partir era esmagadora, não que tivesse algum direito sobre ele, mais ama-lo e não te-lo era como estar entre as nuvens e cair derradeiramente em queda livre num penhasco, uma queda longa e muito muito dolorida. Enquanto caminhava vagarosamente ouvindo suas melhores musicas, deixava um pedaço de si pra trás, um lado oculto que a ninguém cabia revelar. Veria-o novamente, como todos os dias a quatro meses, por que dessa vez algo seria diferente?  Por que acreditar em algo que nunca haveria de mudar, ele era casado e ela, ah pobre donzela, vivia em seu mundo fantasioso no qual amor verdadeiro estava longe, longe demais para alcançar.  A neblina recolhia-se lenta e preguiçosamente e aos poucos no horizonte o azul do céu começava a aparecer, fazia um pouco frio, mais ela não sentia a temperatura gelada. Todas as pessoas que encontrara em seu caminho estavam vestidas com blusas compridas e grossas e apesar de ser começo de inverno naquela segunda feira a mínima não passara de 12 graus e certamente o sol sairia forte e reluzente quando estivera preste a ir para casa, por isso nem se dera ao trabalho de vestir uma blusa por cima de sua de camiseta. Se fosse pra sentir frio, que sentisse então, ela amara o inverno desde que se entendia por gente, o que não era muito penoso já que na região em que morava o calor era absurdo e desconfortante, adorar dias frios era fácil. A academia não ficara longe de onde morava, apenas 4 quarteirões, cerca de 10 min. a pé isso quando não perdia tempo admirando idosos em suas varandas lendo jornais, como se o dia deles dependesse disso. A academia ficava em um barracão, não era muito grande, não tinha os melhores aparelhos, porém supria suas necessidades e pelo preço valia à pena ir dar seu melhor e não reclamar. Um dia conseguiria, teria o corpo malhado como sempre desejara, não se enganara sabia que precisava focar todos os dias e fazer o trabalho duro, até por que se fosse fácil, a frase não diria No pain, no gain! Estava quase atingindo seu objetivo, ficara quase a vida toda sedentária, completara 22 anos mês passado e ao não ser a fase escolar em que praticava algum tipo de exercício, obrigada pelo professor, não se recordara de fazer exercícios físicos por vontade própria, até que cansara de levar aquela vida parada, e decidira que precisava sair de sua grande de zona de conforto e arriscar-se. 

La estava ele, tão bonito quanto se lembrara, com roupas de academia que combinavam com sua função de professor, usara um conjunto Adidas preto, seus cabelos castanho claro estavam um pouco bagunçados, ao entrar ele não a notara o que para Anne já não era novidade, ele estava conversando com outra aluna, uma mulher de meia idade cabelos Chanel loiros que falava mais que o permitido, se o governo criasse uma lei que limitasse a quantidade de palavras que poderiam ser pronunciadas em um dia, ela sem duvida sofreria alguma punição, não só por um dia mais em todos. Toda sua vida nunca conhecera alguém que falasse tanto quanto ela, achava aquilo pouco saudável e muito irritante. Sua voz continuaria intacta até o fim do dia, sem deixá-la rouca? Se fosse casada, o que era provável, como o marido a suportava? Os homens em geral já dizem que mulheres falam mais do que deveriam, pobre daquele homem que estivera ao seu lado.  Para Anne não era só irritante a senhora falar e falar, como se o mundo fosse acabar a qualquer instante, quanto pelo fato incontrolavelmente irritante de que ele estaria la, parado ao lado daquela senhora – que ela nem se dera ao trabalho de saber o nome- , conversando. Por que ele não poderia agir assim com ela? Por que ele mantinha distancia? Ta ok, ele mantinha sua postura profissional perante todos seus alunos, mais com ela e pelo fato de ela desejá-lo incontrolavelmente era sufocante saber que tinha pelo menos uma pessoa naquele lugar que ganhava mais atenção dele do que ela jamais sonhara.

Esse é a primeira parte de um texto que escrevi sobre alguém que já foi especial pra mim, mais que hoje não deixa de ser uma lembrança. Espero que gostem. 

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