Batom vermelho (Parte 2) – Vyb Ebuliani

Parte 2.

“Satisfaça seus desejos, seja eles quais forem.”

Como todos os dias, começara dez minutos fazendo aeróbica, às vezes esteira, outras bicicleta, chegara a pingar suor em dias quentes, mais no inverno era mais tranqüilo, o esforço físico era desgastante suas coxas e pernas ficavam bambas em determinados aparelhos, seus músculos imploravam para que parasse, porém seguia em frente, quando não mais aguentava ia beber um pouco d’água e aproveitava esse tempinho para um relâmpago descanso, quando o esforço era tanto, xingava mentalmente como se isso fizesse alguma diferença na dor física momentânea que sentia.

Ethan estava ajudando um moço com seus treinos braçais, Anne encarava-o dali onde estava, ao lado do bebedouro, a certa distância ela via seus músculos aparentes agora que ele tirara a blusa de frio. Imaginara se ele era feliz, nunca perguntara sua idade mais acreditara que tinha por volta de 35 ou menos. Uma vez escutara ele conversando com a senhora que-não-calava-a-boca, que conhecera sua esposa desde a época escolar e que estavam juntos há mais de 15 anos, sendo que havia apenas 3 de casados. Estar tanto tempo com uma pessoa, saber de seus defeitos, suas qualidades, ser seu cúmplice, saber seus sonhos, seus devaneios, seus gostos, seus medos, estar para ela e com ela incondicionalmente em diversos momentos de sua vida era algo em que Anne custara acreditar. Haveria de tudo aquilo ser real, e não algo inventado por um louco decrépito que declarara que para ser feliz e bastar você precisa irrevogavelmente estar ao lado de um parceiro para viver uma vidinha feliz e completa? Se assim fosse, quanto tempo levaria para encontrar alguém com quem dividir seus pensamentos mais profundos, seus sonhos mais radiantes e seus desejos mais sombrios?

Desvairando-se de seus pensamentos notara que ele a encarava, não raramente pegava –o olhando-a, aquilo era desconfortável, não que ela não gostasse que ele a notara, mais ela sentia-se diminuída, como se ele fosse algo impossível demais para se alcançar. Não ser o centro das atenções era um mártir que ela carregada desde criança, sempre fora uma menina quieta, que ficava em seu canto, passava mais tempo lendo do que outra coisa, provavelmente esse era um dos motivos de não acreditar tanto nessa baboseira de finais felizes, a realidade era dura, mais era verídica, preferia escutar a razão ao coração. Disfarçando em uma tentativa frustrada de arrumar o cabelo que por sinal estava em ordem, seguiu até o primeiro aparelho para os quadríceps onde faria 3 sessões de 15 no Leg Press, normalmente conseguia colocar os pesos sozinha, porém desde a ultima semana, sua rotina de treino havia mudado e carregar um peso de 30 quilos não era mais uma tarefa suave, antes que pudesse virar para verificar onde Ethan estava, ele encontrava-se atrás de si, o que fez Anne em um lampejo de susto bater seu braço no aparelho à sua direita, quando ele perguntara se ela precisava de ajuda.

─ Machucou-se?

─ Ah não, estou bem. Dissera rapidamente esfregando a mão onde batera.

Ele estava ali parado a sua frente, poucos centímetros de si, sua barba estava por fazer e um delicioso perfume masculino pairava sobre o ar, não conseguira descobrir de qual marca se tratara, mais era um cheiro suave, amadeirado, que causara pequenos arrepios involuntários por seu corpo. Poderia ficar ali parada por horas e horas só para sentir aquela fragrância. Ele era lindo, tinha uma beleza normal, como se normal pudesse ser a palavra certa para classificar, sua mãe dizia que quando se gostava de alguém, pelo que ela era e não por sua aparência, a beleza ficara sempre em plano secundário e talvez esse fosse o caso, mais era inegável, ele era atraente, muito atraente.

─ E então? Ele falara olhando-a diretamente em seus olhos, fixamente, como se a desafiasse e por atrás daqueles seus olhos castanhos claros havia um brilho incomum.

─ O peso precisa aumentar 45 da cada lado. Anne percebera que sua voz havia falhado, já que ele perguntara o quê, logo em seguida. Era quase sempre a mesma coisa, nas poucas vezes em que conversavam, ela ficava inquieta demais e pelo nervosismo não conseguia dizer alto e claro, tirara sarro de si mesma uma vez, logo que Ethan acabara de sair, pois ele havia dito duas vezes repetidas que não a entendera.

E assim ele fora, pegara os pesos de 30 como se fosse tão fácil quanto levantar um copo e colocara um de cada lado do aparelho, logo quando ela resolveu se mexer e pegar o de 15 ele adiantara-se e pegara dois logo de uma vez, dando um a ela para que colocasse do seu lado direito, enquanto ele pusera do lado esquerdo.

─ Prontinho, agora o trabalho duro é com você. Ele dera um pequeno sorriso de canto, o que deixava-o ainda mais charmoso e antes mesmo de Anne fazer qualquer tentativa de puxar assunto ele saira, um casal novato acabara de chegar e ele iria auxilia-los.

Após concluir sua rotina de exercícios faltavam apenas 20 min. de aeróbica para finalizar. Ethan mantivera-se ocupado com o casal a maior parte do tempo por isso ela conseguira terminar seus treinos sem preocupar-se se ele a observava ou não. Após uma passadinha no banheiro para verificar seu estado aparente, olhara no espelho e ficara satisfeita consigo mesma, nunca se empenhara tanto por algo como agora, estava contente por finalmente manter-se focada.

Já era hora de partir, mais uma vez tudo o que sentira por ele ficaria guardado pra si. Era ridículo, insanamente ridículo desejar tanto algo que não estaria ao seu alcance. Do que valia viver, se não fosse pra satisfazer-se por completo ? Cada desejo, vontade, anseio, ambição, um por um,  cada singular desejo deveria ser realizado. Uma vida que não podia ser controlada, não valia a pena ser vivida. Ele seria dela. Só querer seria o bastante ?

Essa é a segunda parte do texto que escrevi, na verdade nem sei se vale a pena continuar. Como disse no post da primeira parte, o texto foi baseado em alguém que algum dia foi especial pra mim, não acho que eu tenha mais nada a dizer, mais sinto que o texto não está concluído, porém se eu fosse conclui-lo teria que apelar para a ficção pura. Na primeira e segunda parte, escrevi sobre o que de fato aconteceu e essa é a minha dúvida se deve haver ou não uma terceira parte (sendo apenas ficção), talvez eu poderia escrever como eu gostaria que a minha história com ele tivesse terminado na vida real, mesmo que por através da escrita. Acredito que devesse de uma vez por um ponto final nessa história. O que vocês acham Egos ? 

Xoxo

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