Eu estou aqui – Vyb Ebuliani

Ventava forte naquele começo de manhã. Era um domingo preguiçoso, estava frio, o sol não haveria de sair tão cedo. Os ponteiros do relógio ao lado da escrivaninha apontavam 5:45 da manhã, acordara cedo, como quase todas as manhãs, desta vez não fora diferente, perdera o sono. Fora para a cozinha preparar uma xícara quente de chá de camomila em seguida passara pela pequena porta rústica até a varanda para avistar o céu do novo dia. Aqueles eram seus únicos momentos de completa solidão, ansiava por isso todos os dias. Estava só, mais não completamente. Era ela e a natureza, o canto dos pássaros, o barulho das arvores a balançar com o vento, o passar de densas nuvens carregadas de chuva e de vez em quando o raiar magnífico do despertar do sol, que enchia seus pulmões de esperanças. Esperanças que esvaíam-se durante o dia.

Ela fora fogo, paixão, amor, pureza e alegria. Hoje era vazio, e só vazio bastava. Ela fora intensa, intensa até demais, porém conforme os anos passavam-se, duvidas e perguntas nunca cessavam em seus pensamentos. Agora só restavam incertezas. Perdera-se sem antes encontrar-se. Sentia-se perante a uma lareira, quente for fora e fria por dentro. Perguntara-se tantas vezes como tudo saíra do controle, mais talvez nada tivesse em absoluto controle e esse fora seu pecado, acreditar demais.  Talvez não fosse a única a sentir-se daquela maneira, talvez a maioria das pessoas com quem convivia diariamente, que esboçavam largos sorrisos, que gabavam-se de grandes posses, que insistiam em mostrar tamanha felicidade, talvez por dentro eram infelizes. Vazios. Era possível que tivessem muito medo. Medo de demonstrar quem realmente eram e medo de ninguém os valorizar por isso. Medo de não serem o suficiente. De não bastar.

Como mudar isso? Quantas e quantas vezes ela tentara, cansara de pensar no assunto, ela delirante. A culpa era dela por não ser feliz? Alguns diziam que sim. Sempre fora mais fácil julgar do que tentar entender, por isso parara de falar sobre o assunto. Ninguém mais incomodara, era ela mesma que convivera com a dor e seria ela mesma que lidaria com isso, como sempre fizera. Para quê se dar ao trabalho de contar aos outros? Sua história não seria como nos livros, em que alguém viria e a salvaria, não. Ela seria sua própria heroína e salvaria a si mesma. Essa era sua vida, sua história, não seria uma princesa esperando ser resgatada de um calabouço ou do alto de uma torre, ela assumiria as rédeas e o controle de tudo que a cercava. Não havia mais motivos para lutar contra, aceitara a solidão como sua melhor amiga, estava acostumada. Ela assim gostava. Estar só não era tão ruim quanto estar rodeada de pessoas e sentir-se só. Se algum dia isso passaria, ela não saberia dizer. Estava centrada em respirar, calma e profundamente. O que viria a acontecer depois? Nem ela mesma poderia responder. Não era feliz, por diversos motivos, mais isso não a impediria de encontrar pequenos momentos de alegrias que valessem por uma vida toda. Esse momentos preciosos que lembrassem-na de tudo de bom que amara e  importava, que não deixassem- na esquecer de dizer EU ESTOU AQUI, da maneira que for, mais EU ESTOU AQUI!

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