Reflexão n°.1 – Murilo Mendes

Aos amantes de poesia ♥ Boa tarde

Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
E a circulação e o movimento infinito.

Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.

02

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9 comentários sobre “Reflexão n°.1 – Murilo Mendes

  1. {**** o termo SER, abaixo usado, deve compreender-se por qualquer entidade física ou não física definida pelo nosso intelecto: uma casa, um homem, um dia, um escuro, uma casa, etc.}

    Cerca de 550 anos antes de Cristo, na Grécia Antiga, um pensador chamado Heráclito, refletindo sobre o “ser”, que entende-se pelo existencial das coisas da vida, pensou: “Nunca estamos na realidade que nossos sentidos apreendem. Quando entramos num rio, o rio de que nossa realidade mental tem consciência não mais existe, pelo simples fato de que, no momento em que nele entramos, suas águas àquele momento inicial passaram, e portanto não é mais o mesmo rio. Novas águas e novo rio.” Ele disse: “Então NUNCA se entra duas vezes no mesmo rio.” Daí poder-se-ia inferir que nunca se vê a mesma árvore, porque, instante a instante seu metabolismo está em movimento e ela muda, mesmo que imperceptivelmente. O mesmo uma pessoa, uma casa. Tudo está em constante VIR-A-SER (ou devir como preferem os filósofos). Ou popularmente TUDO ESTÁ ENVELHECENDO.
    Mas este pensamento heraclitiano criou uma encruzilhada mental: “Como, então, podemos afirmar que sabemos que ou o que é isto ou aquilo, já que tudo passa, tudo está em constante devir?”.
    Dois outros gregos deram respostas diferentes ao problema.
    Primeiro Parmênides que, diferentemente da ideia de Heráclito, afirma que, independente das minúcias dadas pelas poucas variações do tempo/espaço, o que importa para o entendimento humano é o “ser” ou “ser-em-si”. E daí surge sua mais famosa afirmação: “O ser é, o não-ser (ou vir-a-ser ou devir) não é.”
    Assim, Parmênides, através de sua especulação filosófica, demonstra que para nossa vida cotidiana, para nosso mundo mundano, o que importa é o “ser” e portanto SIM, nós entramos duas vezes no mesmo rio ou SIM, o ser que representava seu primeiro amor na adolescência ainda pode por você ser por você reconhecido vinte anos depois, mesmo sem nunca mais tê-lo visto.
    Sócrates, dando mais um passo na definição do “ser”, estabelece que o que importa é a essência do “ser”. E é através desta essência que, quando por é nós apreendida, o ser é reconhecido.
    Daí surgem as máximas questões socráticas do “belo-em-si” ou o “bom-em-si”, onde este maravilhoso homem questiona sobre a ESSÊNCIA do belo ou do bom. Ou seja, não por coisas que você ou eu consideramos bela ou boa, mas de O POR QUÊ estas coisas são belas ou boas para nós. O que pode-se definir como a essência que as faz serem belas ou boas de maneira UNIVERSAL, ou seja, o belo ou o bom para quem que que seja.
    Veja como é difícil considerar um “belo-em-si” ou “bom-em-si” onde todos, UNIVERSALMENTE, concordem.
    A partir disto infere-se: filosofia é extremamente complexa pois leva a vários caminhos e várias definições; excluindo-se daí uma única e definitiva verdade e resposta.
    Assim, mesmo após Parmênides e Sócrates nos mostrarem que nossa racionalidade se apóia na ESSÊNCIA do SER, o DEVIR de Heráclito tem seu espaço garantido na especulação filosófica HUMANA.

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